Marcenaria Ishida

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  • Arq.Gabriel Noboru Ishida

Portas de correr ou de abrir?



Vivemos uma época generosa: a valores relativamente baixos, podemos ter mobiliários de altíssimo acabamento e conforto. Mas não foi sempre assim.

Nós, urbanos, estamos acostumados com a precisão, a suavidade e a durabilidade dos produtos de alta qualidade. Mas vamos resgatar a memória de como chegamos até aqui, rapidamente.


Um pouco de história


As primeiras portas deslizantes conhecidas, de uso residencial, são de origem japonesa, e elas não utilizavam rolamentos. As fusumas são as portas ou divisórias deslizantes, em base geralmente de madeira, canaletas perfeitas, enceradas com cera ou sebo animal. Travadas acima no trilho superior, foram o canal de entrada na cultura ocidental.


Apesar de haver portas com rolamentos, de uso em fazendas e galpões, é improvável que tenham sido utilizados antes da revolução industrial, ou talvez tenham sido utilizadas com rolamentos no renascimento, pois seria uma tecnologia inviável de custo altíssimo para o usuário comum, a seu tempo. As fusumas por outro lado, eram um padrão. Isso, posto que não havia problemas de segurança, pois as portas japonesas e as casas de papel arroz não eram desenhadas para barrar invasores – estes não existiam como atualmente. Era uma época cavalheiresca feudal oriental: combates de espadas eram frequentes.

As portas da revolução industrial, apoiadas em trilhos de ferro batido, e forjadas em estilo de ferro fundido, não eram silenciosas como as rolamentadas de hoje (rolamentadas significa que tem uma rolimã dentro, com bolinhas, prolongando a vida útil e gerando suavidade, estabilidade, e silencio). Os móveis com portas deslizantes, no ocidente, ao mesmo formado das gavetas contato madeira/madeira (como as fusumas), são raros ou inexistentes até o surgimento do modernismo.




Vantagens e desvantagens em móveis


Apesar de ambas serem assunto arquitetônico amplo, vou focar no mobiliário.

As vantagens das portas de abrir são basicamente estéticas (no sentido de preferencias, pois as de abrir são igualmente belas), e também ocupam menos espaço no ambiente. Entretanto, isso pode ser uma ilusão. Pois para a utilização de portas de abrir em móveis, como guarda roupas, o próprio trilho e as folgas entre portas ocupam 7cm da profundidade. E ao mesmo tempo, o sistema de correr, com duas portas por exemplo, nunca permite abrir 100% do vão (sempre ficarão fechando parte do móvel). O efeito é menor com 3 portas, mas é mais burocrático.

As portas de abrir, no imaginário de algumas pessoas são algo mais “antigo”. Porém essa opinião é equivocada. As portas de abrir são excelentes, duram muito mais, tem manutenção muito mais simples e barata. Além disso, são muito mais ágeis no dia a dia, e permitem total abertura do móvel, simultaneamente. Seu único inconveniente é, além do imaginário social, o fato de ocuparem espaço da abertura (em geral de 30 a 50cm). Divide-se o vão total do móvel para que tenha portas aproximadamente dentro destas medidas. As portas de abrir, se não batidas no fechamento, são muito mais silenciosas. E de qualquer forma, as de correr também batem, se não tiverem amortecimento (mesmo caso das de abrir).

As portas de correr, se bem que para alguns sejam mais sofisticadas, não são as únicas que contam com amortecimento. Os sistemas de abrir com amortecimento são muito elegantes, e adequados para pessoas com ritmo acelerado de vida. O amortecimento das portas de correr geralmente conta com um “pescador” que engancha na porta e amortece seus movimentos.

Apesar de a tecnologia estar a cada dia melhor, com diversos modelos no mercado e diversas marcas, não é nem um pouco raro que o pescador solte. É simples encaixa-lo, mas algumas pessoas podem se incomodar com isso.

Eu, como arquiteto e marceneiro, prefiro para uso particular, as de abrir. Possuo dos dois tipos em minha residência, e realmente, sempre recomendo a de abrir pelos motivos citados.




Acabamentos


Entra em jogo também, no caso das opções, os puxadores. Se você deseja portas com cordões ornamentados tipo almofadas e puxadores altos, não é viável em portas de correr. Então, estilos neoclássicos ou cottage por exemplo, ficam melhor com sistemas de abrir, se desejar um acabamento delicado e não de fazenda, como por exemplo, românticos ou clássicos.

Os puxadores do tipo cava são um show a parte, em alguns casos. Mas não são adequados para todos os modelo. Vale lembrar que para áreas molhadas, é ideal os de contato alumínio, e não apenas em MDF (que é mais em conta mas expõe o cerne do MDF à umidade podendo gerar estufamento a longo prazo).

Os acabamentos em laca são interessantes em todos os casos, mas o custo é com frequência um impeditivo. Por outro lado, permitem retoque a longo prazo, com cores fáceis de serem alteradas ou repintadas. A tinta não é esmalte sintético: é PU, e endurece com catalisador.

Existem os puxadores tipo concha, que são embutidos na porta, e permitem deslize entre folhas pois não são mais altos que a porta.


Conciliação


É muito importante ter em mente que deve haver conciliação entre os estilos, os custos e a viabilidade técnica, além da durabilidade a longo prazo.

Nem todo design é adequado, por mais belo que seja. Uma alternativa correta deve surgir para cada combinação de espaço x estilo x uso x orçamento x viabilidade técnica x durabilidade.

São diversos pontos, e nenhum deles deve ser ignorado. Procure sempre uma empresa que possa te orientar e te guiar na melhor escolha, na execução dos seus móveis.


Tecnologia


No mundo dos mobiliários e ferragens, as aparências enganam, e muito. Ferragens idênticas visualmente diferem em valor na ordem de 750% - por exemplo, dobradiças tipo caneco (as mais conhecidas de moveis) mais baratas podem sair por menos de 4 reais. Entretanto, alguns modelos podem custar mais de R$ 30,00 a unidade. Então, muito cuidado com o seu contrato e qual modelo estará sendo instalado, tanto para trilhos (que variam na espessura), réguas puxadoras, kits de correr, dobradiças... todas passam por essas variações extremas. Tome a liberdade e atitude de visitar uma loja de ferragens de mobiliário, para compreender qual material seu marceneiro estará fornecendo.


Projeto


Como marceneiro, tenho a obrigação de informar vocês. Como arquiteto dou o aval: é verdade que a maioria dos arquiteto(a)s não sabem especificar estas combinações, guiando-se basicamente por aparências e estilos. Fique atento, pois em geral, por falta de conhecimento, os autores de projetos criam dificuldades para orçar o seu projeto, já que deverá ser redesenhado e alterado, e isso vai te dificultar para comparar orçamentos pois marcenarias diferentes proporão soluções e produtos diferentes, se houver necessidade de ajuste, no caso de ausência de especificação (em geral, 100% dos casos não tem especificação a este nível).

Cobre descrições no contrato. Caso não tenha, não se arrisque: para profissionais sem ética, é fácil colocar as ferragens mais baratas, você não vai perceber tão facilmente.

Para nós, para mim, quanto mais bem informado o cliente, melhor. Participe!

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