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  • Arq.Gabriel Noboru Ishida

Como identificar os materiais de marcenaria e interiores

Atualizado: 23 de abr.

Como profissional arquiteto e marceneiro, ao longo dos anos, tenho percebido claramente que muitas pessoas não sabem diferenciar os materiais, implicações e características, dos produtos utilizados em interiores, em geral madeiras ou simulações de madeiras.

É claro que o público não profissional não tem obrigação de saber: mas nós temos. Fora isso, é muito interessante que o público saiba – pois fica muito mais claro o diálogo, orçamentos, e a avaliação do nosso trabalho e valores agregados ao projeto e obra pronta. Somente empresas de baixa qualidade teriam interesse na desinformação: pois clientes extremamente leigos podem comprar gato por lebre (e eu vejo isso de vez em quando com clientes que foram atendidos por outros profissionais, anteriormente).

Então vamos lá: Com experiência de mais de 20 anos em obras de construção arquitetônica e engenharia, e mais de 35 anos em marcenaria, eu tenho obrigação de te orientar e te deixar craque na identificação dos materiais mais comuns utilizados em projetos, obras de interiores e outros semelhantes!


Madeira maciça


Parece redundante e desnecessário, mas nem todos sabem identificar madeira maciça das demais. A primeira evidencia de madeira maciça é o topo das chapas com veios transversais, indicando o grão da madeira e sua autenticidade, pois não existe fita de topo que coincida com os veios da chapa, e você vai perceber isso na quina.

Apesar de a textura da madeira poder ser simulada, podemos identificar mesmo sobre chapas de compensado folheadas, muito semelhantes e as vezes de difícil diferenciação. O primeiro item que percebemos é o topo com linhas transversais a 90°, ao contrario da madeira, e as laterais com veios não coincidindo com os do

tampo. A madeira maciça eventualmente sofre leves empenamentos, e pode ter um barulho muito mais sólido ao toque/batida, já que os veios tensionados funcionam como elemento acústico – e por isso certos violinos custam uma fortuna.


No caso de madeira não maciça, como a ilustrada aqui, veja como os veios do topo não correspondem aos veios no tampo da mesa. Isso indica folheação, colada, sobre geralmente, compensado.

Cadeiras e pernas de mesas racks e similares geralmente são executadas em madeira maciça; E algumas peças de design, pode-se ver os feios acabados em meia esquadria, ou encaixados em outros angulos inclusive retos, caprichosamente executados.







Chapa de compensado


Em inglês, o original “plywood”, foi desenvolvido em 1865, possibilitando o surgimento da escola de design Bauhaus, em conjunto com outros fatores. É um prensado de madeiras folheadas, com veios cruzados, tornando-a resistente nos dois sentidos (isso não acontece com a maciça). Entretanto, ela perde parte da resistência no sentido de um dos veios (a maciça é muito resistente numa direção e na outra transversal, é fraca).

Por ser construída com madeiras maciças prensadas, sob temperatura e com colas bicomponentes, pode apresentar leves ondulações na superfície, perceptíveis ao toque, deslizando a mão pela superfície da mesma. Assim, compensados folheados são identificados facilmente.


Possui ainda a divisão de compensados comuns e o compensado naval, que é realmente utilizado para construção de pequenas embarcações, e é mais resistente a água que o compensado comum. Entretanto, isso não significa que ele seja imune a água: apenas aguenta mais. Se for exposto a submersão/inundação/encharcamento completa, ou duradoura, poderá estufar as fibras, mofar e empenar (isso acontece muito em fundos de moveis antigos, encostados em paredes, ficam mofados por não terem recebido seladora impermeabilizante, umidade advinda da alvenaria, especialmente em imóveis térreos, raramente em prédios ou sobrados).




COMPENSADO PARA CAIXARIA



Compensado muito semelhante ao naval, porém com camadas externas revestidas com resina hidrofugante e não adesiva, em geral preta, utilizado para construção de caixarias em construção civil, e desenformando-se sem grudar, pode ser reaproveitada. Você certamente já viu prédios com caixas pretas nos pilares. É essa mesmo!


COMPENSADO FOLHEADO


Construído com compensado comum ou naval (nunca com de caixaria pois não grudaria o revestimento), depois folheado com folhas de madeira natural, tem aparência de madeira maciça. Os topos são folheados com as mesmas folhas, resultando em topos com veios sempre visíveis e nunca transversais: isso é o que permite facilmente identificar que não é madeira maciça, a qual possui veios transversais nos topos.

Como as folhas são obtidas a partir de troncos reais, descascados como se fossem um lápis no apontador (porém em corte cilíndrico), resulta que pode-se obter folhas de qualquer espécie com grão duro e estável o suficiente para a extração.


Depois elas são refiladas retangularmente e vendidas. E são aplicadas no móvel com cola de contato, assim como se faz com a fórmica.

Para se lustrar um móvel folheado, é necessário habilidade com a “boneca” (bola de estopa fina, para aplicar seladora). Aprendi com uns 13 anos se não me falha a memória, com meu pai. Atualmente, usa-se mais pistola de pintura.


FÓRMICA


Apesar de fórmica ser uma marca (formica.com.br), o nome pegou. O nome correto é laminado de alta pressão, ou laminado melamínico (o mesmo que se usa para alguns pratos e travessas de cozinha). Super resistente e denso, é trabalhável e flexível. A fórmica Postforming permite dobra em alta temperatura, e para isso é necessário uma dobradeira – mesa com tampo aquecido para esquentar. Utiliza-se para revestir bordas curvas de portas e gavetas, tampos e demais itens, com raio menor que aproximadamente 4cm. Maiores que isso pode-se dobrar a frio, sobre a cola de contato.



Apresenta diversos padrões imitando madeiras, mármores, granitos, fantasias, lisos, aço inox, e diversas outras opções.

Para identificar um móvel de fórmica, basta olhar nas quinas: se houver linhas escuras (do material melamínico ), é fórmica. Ela é bem mais resistente a riscos profundos que os MDFs revestidos com folhas melamínicas. O material é praticamente o mesmo, mas a densidade e espessura são muito melhores na fórmica, que caiu em desuso devido as facilidades do MDF e altos custos de montagem do sistema antigo. Foi nesse sistema que há muitos anos eu me formei marceneiro, mas hoje em dia quase não se usa mais.


Atualmente existem revestimentos de PVC idênticos às fitas de topo, chapas largas em geral 120cm, com mais de 3m de comprimento; São revestimentos mas não são melamínicos , por isso não deixam borda preta, mas muitas vezes são chamados de "fórmicas". Em geral seu núcleo ou massa extrudada é da cor da superfície, não lascam e são mais flexíveis, inclusive termicamente.

Mas não são a "fórmica" que tradicionalmente conhecemos.


MDF


Significa Medium Density Fiberboard, e assemelha-se a um papelão muito duro prensado, já que é fabricado de forma semelhante, a partir de fibras de madeira moídas e aglutinadas com resinas catalisadas.

É uma material relativamente homogêneo, que predomina no setor moveleiro atualmente no Brasil, com relação a marcenarias tradicionais.



Possui diversas fábricas, diversas qualidades e padrões, cores, texturas, preços, espessuras que variam também. Para acabamento, aplica-se fita de topo, na cor da chapa, fornecida pelos mesmos fabricantes, colada com coladeira térmica ou com cola de contato, no sistema tradicional (o mesmo que se aplica folhas sobre compensado, passando cola nos dois lados, colando e depois recortando as sobras com ferramentas adequadas)

O MDF comum não se dá bem com água, e não é recomendado nem umidade excessiva. Apesar de nós profissionais aplicarmos colas térmicas e fitas que deveriam selar absolutamente os topos, dilatações térmicas do dia a dia e micro fissuras podem permitir entrar a primeira leva de água, que mesmo que seja irrisória será suficiente para abrir passagem e acelerar o estufamento em anos, meses e até mesmo horas. Por isso para MDFs convencionais, não há garantias contra água – o maior inimigo do setor moveleiro...

Há alguns bons anos foi lançado o MDF Ultra, que nas feiras ficava imerso em água como mostruário. Atualmente, o mesmo produto não tem essa resistência, nem de longe. E também não há chapas coloridas com esse material, em geral apenas a branca.

Recomenda-se selar todos os topos e juntas de móveis em banheiros e cozinhas, para não entrar água, de preferência com silicone, pois PU (poliueretano) e outros produtos como massa corrida e similares podem trincar e não vedar a água.


As fitas de topo são ligeiramente diferentes das superfícies, pois são feitas com outra técnica industrial – são de PVC (polivinil chloride). Por isso as cores não são idênticas, se olhadas com muita, muita atenção. Mas para visualização no dia a dia, são idênticas.

O sistema de montagem do MDF não é planejado para receber revestimento nas faces maiores, apenas nos topos. Então estes topos serão sempre os da espessura da chapa. Porém somando-se chapas e engrossos e ajustes, podemos chegar a expressões de design de aparencia mais robusta, chamados comumente de "engrossados", com uma fita mais larga simulando uma peça só.


Parafusos não ocultos são escondidos com bolinhas adesivas do mesmo padrão, em PVC também.


MDP


Significa Medium Density Particleboard. É o famoso aglomerado, utilizado em móveis de grandes fábricas, e até onde sabemos, praticamente todas as fábricas de móveis planejados de grandes dimensões e sistema modulares de venda, e similares.


Marcenarias de pequeno porte ou de projetos exclusivos de alto padrão raramente usam, pois é um produto considerado inferior (algumas usam, mas isso não vem ao caso... nós jamais utilizamos).



Por ser um produto mais em conta, mas com aparencia externa identica, o cliente não percebe que é um material inferior. Mais leve (menos resina, menos madeira, mais ocos no esponjoso interno, mais irregular em sua massa, mais frágil que o MDF) é um produto não recomendado para mobiliário de longa durabilidade. Por ser irregular e de grãos grandes, possui muitos pontos frágeis (é onde geralmente quebra!)


Uma forma de perceber se o mobiliário é de MDP é simples, mas não necessariamente relacionado: lojas que usam programas de vendas com itens modulados, soltam a venda para grandes fabricas de corte com volume de produção. Em geral (mas não sempre), elas optam por MDP por aumentar os lucros das vendas e limitam as cores para reduzir as perdas. Algumas marcenarias de baixo comprometimento com cliente também vendem esse material. Há profissionais que o defendem, não é o nosso caso.


OSB



É semelhante ao aglomerado, mas as fibras são bem maiores e são mais resistentes mecanicamente. E também mais resistentes a água. Muitos são usados como revestimentos diretos, com acabamento cru, que é muito interessante também, inclusive devido ao baixo custo. Existem muitos trabalhos de alta qualidade estética com esse material - vale a criatividade.


OSB TAPUME



O mesmo OSB só que muito resistente às intempéries. É em geral verde ou branco, e é utilizado como fechamento de obras, que depois do período acaba sendo descartado, todo empenado e consumido por chuvas e sol. Resiste o período coincidente com as primeiras etapas da obras de construção de rua. Obras maiores e mais duradouras usam telhas metálicas para fechar os terrenos.


DURATEX




Apesar de Duratex também ser uma marca (www.duratex.com.br), o nome também pegou. São aquelas chapas escuras e super densas, usadas em laminas finas, como pranchetas, fundos de gavetas e fundos de armários. Muitas são revestidas de um lado só com melamínico branco, para mobiliário.

Há também chapas para uso acústico ou decorativo, com perfurações interessantes que absorvem ou reduzem reflexão do som.

Apesar do nome, são MDFs mais densos que o normal, basicamente porque são mais finos e precisam de maior resistencia mecânica. Por isso são mais escuros compactos e densos (relação peso/volume).


PISOS LAMINADOS



Existem pisos laminados de diversos materiais. Podem ser de MDF, MDP, e vinílicos. Os pisos de polivinila, ou vinílicos (PVC), são resistentes a água, flexíveis e resistentes. Apesar de custo um pouco mais elevado, são uma opção muito boa em termos de custo benefício. Deve-se observar sua espessura, geralmente menor – ótima para sobreposições – antes de se finalizar o contrapiso.


Atenção para os pisos de vinil do tipo encaixe, não rolo: tenho visto peças retraindo e aumentando as juntas que deveriam ser zero. E algumas marcas que sob exposição de luz solar direta, ficam esverdeadas.


Atenção para todos os pisos de MDF ou MDP: não deixe cair água ao ponto de penetrar entre os encaixes. Alguns formatos de encaixe clique obrigam a desmontar grande parte do piso para troca de uma simples peça.



TEKA E BAMBU



É um composto montado com madeira maciça, diversas peças menores usinadas, gerando uma paginação agradável e bonita, resistente. As chapas são menores, e o custo é mais elevado.

Montagem semelhante produz chapas de bambu, sendo a diferença básica o material de base, onde na teka são diversas madeiras e no bambu, simplesmente o bambu mesmo, variando conforme a espécie e grão.



TEKA NAVAL



Essa é novidade em interiores. Alto custo por m2.

Para quem quer utilizar madeira em ambiente que pode ser molhado eventualmente, e combinar com um toque marítimo naval, as composições em madeira Teka naval e rejuntamento de silicone industrial são uma escolha linda, apesar do custo elevado.

Normalmente aplicadas em barcos, nos decks, também podem ser utilizadas em arquitetura ou mobiliário, aí vai da criatividade e dos limites do projeto.

Mas atenção: não confundir com a Teka de EVA, ou a emborrachada, que são semelhantes visualmente mas não são realmente de madeira.

Podem ser encomendadas com desenho, e empresas especializadas montam a paginação e executam.


CHAPA WALL / MADEWALL



Composto de fibrocimento, chapas com modulação conhecida em três tamanhos são utilizadas sobre estruturas metálicas substituindo lajes, em obras onde não compensa concreto ou não é permitido.

Largura 1,20m e comprimento em três medidas, sendo a mais comum 2,50m.

Externamente em fibrocimento, internamente com enchimento em madeira, qualidade variável, o miolo serve apenas como distanciador entre os dois tampos, que numa abordagem estrutural, assim como uma viga, funcionam como tampos superior e inferior, um tracionando e outro comprimindo. São chapas pesadas mas muito mais leves que o concreto. Geralmente parafusadas ao sistema de grelhas metálicas, contribuindo com a resistência do mesmo ao travar deslocamentos horizontais assim aumentando a resistência a flexotorção e flambagem das vigas metálicas.


MDF CANALETADO


Utilizado em lojas para suporte de ganchos e mostruários de produtos. Possui diversas cores e também pode ser utilizado como meramente decorativo. Não suporta grandes cargas, mas é ideal para ganchos pequenos fabricados com esse propósito, medidas adequadas para esse tipo de chapa.








DIVISÓRIAS MELAMÍNICAS


Existem as divisórias em placas modulares montadas em steel frame, aquelas de escritórios: são como portas ocas de papelão interno. Não são resistentes a riscos como os outros itens melamínicos . São super leves e contam com perfis próprios para montagem de vidros janelas e portas.


DIVISÓRIAS



Fonte das imagens: internet.

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Texto por Arquiteto Gabriel Noboru Ishida (11)999128929 - www.arkdesign.com.br

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